INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA
Quem sou? Quais minhas necessidades? Por que tenho conflitos? Em que sou diferente dos outros animais? Como aprendo? Por que, tantas vezes, sinto-me inadequado em meu trabalho, entre amigos, na sociedade? Em que me assemelho às outras pessoas? Como me relaciono com o ambiente físico e social?
Estas e outras perguntas, decerto, são feitas por todo ser humano, desde que tem consciência de si.
Em escritos remotos, já encontramos estas preocupações e tentativas de resolvê-las. A investigação sobre a natureza humana antecede, talvez, a História escrita e a própria Filosofia.
É claro que tanto a formulação de perguntas como suas respostas têm sido diferentes de acordo com a época e com a sociedade. Entretanto uma coisa é certa: a preocupação com o interior do Homem e com a maneira pela qual ele se relaciona consigo próprio e com o ambiente está sempre presente.
No sentido etimológico, Psicologia é a ciência da alma ou o estudo da alma. É a ciência que busca compreender o Homem, seu comportamento, para facilitar a convivência consigo próprio e com o outro, pretende fornecer-lhe subsídios para que ele saiba lidar consigo mesmo e com a experiências da vida.
Compreendida em seu sentido mais amplo é a Ciência do Comportamento.
O objetivo da Psicologia tem variado ao longo do tempo e sua pré-história confunde-se com a própria história da Filosofia. Foi a partir daí que os gregos começaram suas especulações. Achavam que todo ser humano possuía uma contraparte imaterial do corpo, de onde provinham os processos psíquicos, dos quais o cérebro seria apenas mediador. Durante séculos, foi como estudo da alma que a Psicologia existiu.
Rompimento brusco neste conceito se deu com o filósofo francês Renê Descartes (1596-1650), cuja teoria do dualismo psicofísico – distinção entre corpo e mente – impregnou as idéias da época e influenciou toda a Psicologia posterior.
Para ele a realidade consistia em duas áreas distintas: o domínio físico do material e o reino imaterial da mente.
O material tem massa, localização no espaço e movimento. Neste reino estão os organismos sub-humanos, que sofrem processos fisiológicos como alimentação, digestão , circulação sanguínea, funcionamento nervoso, movimentos musculares e crescimento.
Já a mente não tem as características daquilo que é físico e suas atividades são raciocinar, conhecer e querer.
Descartes não afastava a possibilidade de que algumas atividades fossem decorrentes da interação da mente com o seu correspondente físico. Incluía entre elas a sensação, a imaginação e o instinto (impulsos para ação).
Desta forma, durante algum tempo, mais precisamente por duzentos e cinqüenta anos, a Psicologia continuou sendo o estudo da mente ou da consciência.
Nos séculos XVIII e XIX, a mente era objeto de grande atenção por parte dos filósofos. Duas grandes correntes dominavam, então, o pensamento ocidental: o empirismo inglês e o racionalismo alemão.
O empirismo acreditava que todo conhecimento se baseava nas sensações: os órgãos dos sentidos receberiam a estimulação do mundo exterior e os nervos a conduziriam ao cérebro; o resultado seria a percepção dos objetos, base de todo conhecimento humano.
A filosofia empirista enfatizou, pois, os papéis da percepção sensorial e da aprendizagem no desenvolvimento da mente. Neste processo afirmavam que a criança nascia com a mente como uma tabula rasa, página em branco onde a experiência e a percepção sensorial iriam inscrever toso o conteúdo.
O racionalismo alemão, por outro lado, afirmavam que a mente teria o poder de gerar idéias, independentemente da estimulação sensorial. Todo o conhecimento se basearia, desta forma, na razão, e a percepção seria um processo seletivo. Para eles as atividades principais da mente eram perceber, recordar, raciocinar e desejar. E que para realização destas funções a mente teria faculdades especiais. Acreditavam ser a atividade mental muito mais complexa e que se os conceitos ou a percepção dos objetos fossem reduzidos a elementos perderiam o seu conteúdo verdadeiro, assim, por exemplo, uma melodia não pode ser reduzida as suas notas musicais, sem que perca seu aspecto característico.
A Psicologia como disciplina autônoma só ocorreu a partir de 1879, com a criação do primeiro laboratório exclusivamente dedicado aos estudos psíquicos. A partir daí, a Psicologia passa a ser considerada ciência, pelo simples fato de os cientistas a ela se dedicarem experimentalmente.
A Psicologia é uma ciência que se preocupa com o Homem, assim sendo tem objeto determinado, objetivos claros, e utilização de métodos especiais, embora seu campo de estudo ainda se confunda, em suas fronteiras, com a Fisiologia e com as Ciências Sociais.
Concluindo a Psicologia é o estudo do comportamento. E como o Homem e seu bem-estar são os nossos interesses principais, é do comportamento humano que trataremos aqui, eis algumas questões que lhe são pertinentes:
Como aprendemos?
O que é a crise da adolescência?
Que são emoções? Elas são inatas ou aprendidas?
Por que nos lembramos e esquecemos?
Como se desenvolve o pensamento?
Como se dá a resolução de problemas?
Como explicar as diferenças individuais?
Como atuar sobre o desajustamento?
Pode-se perceber que o campo da Psicologia é bastante vasto e trata de questões fascinantes para todos aqueles que desejam compreensão mais profunda de si próprio e de seus semelhantes. É conhecimento indispensável para quem quer que vá lidar mais diretamente com as pessoas.
O PAPEL DO PSICÓLOGO
Os psicólogos estudam funções básicas tais como aprendizagem, memória, linguagem, pensamento, emoções e motivações. Lidam também com tópicos sociais vitais como divórcio, estupro, racismo, sexismo, violência, conservação e poluição. Investigam o desenvolvimento ao longo de toda a vida, do nascimento à morte. Envolvem-se com a saúde mental e física e com assistência a saúde. Buscam correlação entre estilo de vida e ansiedade. Tentam entender como os sentimentos contribuem para as doenças físicas, tais como câncer e doenças cardíacas.
O importante é que o psicólogo vá buscar e compreender o ser humano em sua relação consigo próprio, com o grupo, com o patrão, com os colegas etc. Compreender para ajudá-lo a desenvolver suas infinitas potencialidades e ser mais alegre, criativo, inteligente, livre e confiante.
A linguagem
É preciso ressaltar que o Homem não seria capaz de fazer cultura e nem de pensar sem a linguagem.
Os animais se comunicam, mas não conseguem falar, nem usar símbolos. A linguagem permite ao Homem ligar o presente ao passado e antecipar o futuro. É através dela que o Homem pensa, lembra, elabora conceitos, organiza suas experiências, trabalho no nível da abstração, prevê, julga, planeja, idealiza.
Sem a linguagem, tanto oral quanto escrita, teríamos de estar eternamente recomeçando, pois não haveria como transmitir todo o acervo cultural que o Homem conquista em determinado momento histórico.
Fundamental portanto, no comportamento humano o fator da linguagem. Através dela são introjetados os valores próprios de uma sociedade, moldando a personalidade do indivíduo; é também agraves dela que as pessoas se comunicam, passando uma para as outras suas expectativas de comportamento.
Sem a linguagem social, esse processo de trocas, colocado como característica básica no aprendizado humano. A linguagem é, então, instrumento e produto social e histórico.
Nossa visão de mundo, a maneira como vamos compreender a realidade estão estreitamente ligadas à linguagem. É através das nossas relações com os outros, em que a linguagem se coloca como fator primordial, que vamos elaborar nossas representações do que é o mundo. A palavra está, então, intimamente ligada à transmissão ou imposição da ideologia dominante.
Voltando à característica própria do ser humano – o fato de que se desenvolvimento se dá em um meio social – lembremos que as palavras dos outros se tornam nossas palavras, sua maneira de falar, nossa maneira de falar; as idéias que eles veicular através da palavra se tornam nossas idéias e as respostas esperadas aos estímulo de cada palavra são sempre reforçadas pelo meio social.
Sendo a linguagem tão importante, estreitamente ligada ao comportamento global e instrumento básico na resolução de problemas e na criatividade. Os Psicolinguistas estudam como a linguagem é adquirida e usada e a maneira pela qual funciona como estimulo que induz a determinado comportamento. A linguagem pode estimular diretamente um padrão de resposta específico e isto é crucial na aprendizagem e na elaboração mental.
Bibliografia.
TELES, Maria Luiza Silveira. O que é Psicologia. São Paulo: Brasiliense, 1999.
STATT, David A. Introdução à Psicologia.Editora Harbra ltda.
DAVIDOFF, Linda L.. Introdução à Psicologia. 3 Ed.São Paulo:Pearson Education do Brasil, 2001
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